Quem acompanha apenas as manifestações dos professores nas ruas de Timon talvez não imagine o que acontece nos bastidores desse movimento. Mas quem conhece a história política da cidade, acompanha o cotidiano sindical e guarda na memória os fatos dos últimos anos, consegue enxergar muito além dos discursos e palavras de ordem.
É preciso deixar claro: toda luta sindical é legítima. Reivindicar direitos, melhorias salariais e valorização profissional faz parte da democracia e jamais deve ser condenado. Os professores têm direito de lutar por conquistas que impactam diretamente suas vidas e suas famílias.
O problema começa quando movimentos legítimos passam a ser utilizados como instrumento de manipulação política e eleitoral.
Hoje, na linha de frente do movimento mais radicalizado da categoria, aparecem justamente figuras que comandaram o SINTERPUM durante décadas, sempre se revezando entre presidência, tesouraria e outros cargos estratégicos da entidade. Um grupo que, historicamente, manteve alinhamento político com o grupo Leitoa, que também controlou o poder político de Timon por muitos anos.
Esse alinhamento nunca foi segredo para ninguém.
Basta observar quem ocupa os espaços de maior protagonismo nas mobilizações, quem impulsiona narrativas nas redes sociais e quem tenta transformar uma pauta sindical em combustível político. Existe, claramente, um componente eleitoral sendo construído nos bastidores.
Quando a então prefeita Socorro Waquim venceu a eleição de 2004, por exemplo, enfrentou oposição permanente tanto do grupo político ligado aos Leitoa quanto da direção sindical da época. Mesmo tendo implantado avanços históricos para os professores — como o piso salarial e o Estatuto do Magistério — a gestão sindical nunca teve trégua por parte desses grupos alinhados politicamente.
Anos depois, quando os Leitoa retomaram o comando político da cidade, o alinhamento entre parte da direção sindical e o grupo familiar voltou a ficar evidente. Nos bastidores da Câmara Municipal, vereadores da oposição tentaram discutir reajustes maiores para os professores do que aqueles enviados pelo Executivo durante os governos de Luciano Leitoa e Dinair Veloso.
Mas, curiosamente, setores da direção sindical não demonstravam interesse em pressionar por índices superiores aos propostos pelas gestões aliadas. Muito pelo contrário, o Siterpum recusava qualquer percentual a mais que não fosse o definido pelo governo municipal da época.
Isso alimentava suspeitas constantes sobre possíveis benefícios políticos e administrativos envolvendo integrantes do sindicato e pessoas próximas às diretorias. Na cidade, comentários sobre indicações de cargos e favorecimentos sempre circularam com força nos bastidores políticos.
Agora, fora do comando formal do sindicato, antigos dirigentes parecem ter encontrado no movimento relacionado aos juros do FUNDEF uma oportunidade de retomar protagonismo dentro da categoria, influenciar a atual direção sindical e, ao mesmo tempo, reconstruir um projeto político ligado ao ex-prefeito Luciano Leitoa.
E é justamente aí que mora o ponto principal.
Luciano saiu da última eleição carregando um alto índice de rejeição popular e politicamente enfraquecido. Sem mandato e distante do poder institucional, precisa voltar ao debate público de alguma maneira. E setores organizados do movimento sindical aparecem, mais uma vez, como peça importante nesse processo de reconstrução política.
Por isso, é preciso que os professores estejam atentos para que uma luta legítima da categoria não seja sequestrada por interesses eleitorais e projetos pessoais de grupos que tentam recuperar espaço político em Timon.
Atentai bem.

Lamentável!!! Nobre radialista como sempre sensacionalista em relação aos ataques, o senhor o tempo passou porém a postura continua a mesma, o defensor ferrenho da gestão do retrocesso, @socorro Waquim, só eu sei o que o senhor causou na minha vida, profissional, ainda hoje guardo o BO da época, como sempre desvirtuando as notícias. Aqui não tem ninguém ligada a grupo A ou B, queremos só o que é nosso por direito, que é o precatório na sua totalidade, o prefeito não pode tirar os juros desse recurso e empregar em outras áreas, foram 20 anos aguardando e quando chega e é depositado em contas judiciais, o prefeito quer pagar somente o valor principal e os juros?? Ele não pode pegar esse recurso e empregar em outras áreas. É carimbado. É nosso por direito, e aqui não tem ninguém agindo politicamente, é só o senhor olhar pra os manifestantes, professores aposentados ou em processo de aposentadoria. Meu caso com 6.2. Seja sensato uma vez na sua vida já basta o estrago que o senhor fez na minha vida em 2013. Reveja seu posicionamento, seja pelo menos uma vez na vida mais humano e respeitosos pra com o próximo.
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