O ex-prefeito de Timon, Luciano Leitoa, tem demonstrado, em suas recentes manifestações públicas, grande disposição para acompanhar processos administrativos, discutir prerrogativas legais e até sugerir alterações em legislações que considera prejudiciais à população ou a determinadas categorias de servidores.
Foi o que ocorreu recentemente quando defendeu a revogação
da lei de sua própria autoria que estabeleceu a alíquota de 14% de contribuição
previdenciária ao Instituto de Previdência Social dos Servidores Públicos do
Município de Timon, medida que atingiu diretamente aposentados e pensionistas
do serviço público municipal.
Diante desse posicionamento, surge um questionamento
inevitável: por que toda essa disposição, conhecimento jurídico e preocupação
com os efeitos das leis não foram empregados com a mesma intensidade durante os
oito anos em que esteve à frente da Prefeitura de Timon?
A crítica recorrente de adversários e observadores da
política local é que Luciano Leitoa deixou de aproveitar a oportunidade que
teve como gestor para implementar muitas das práticas que hoje defende
publicamente. Para esse segmento, o ex-prefeito dedica-se atualmente a apontar
falhas e apresentar soluções que poderiam ter sido colocadas em prática durante
seus dois mandatos.
Além disso, sua gestão foi marcada por episódios que
repercutiram negativamente na esfera política e administrativa. Durante seu
governo, aliados e auxiliares foram alvo de investigações e acusações
relacionadas a irregularidades diversas. Também houve decisões judiciais que
atingiram a administração municipal, incluindo condenações relacionadas à
execução de obras públicas e a inclusão de seu nome em investigações
decorrentes da Operação Topique, que apurou desvios de recursos destinados ao
transporte escolar em estados do Piauí e Maranhão.
Embora Luciano Leitoa tenha o direito de exercer oposição,
emitir opiniões e contribuir com o debate público, seus críticos sustentam que
sua trajetória administrativa limita a autoridade moral com que hoje se
apresenta como orientador e fiscal das ações governamentais.
A política exige coerência entre discurso e prática. Por
isso, muitos timonenses avaliam que o ex-prefeito perdeu uma oportunidade
histórica de demonstrar, quando ocupava o cargo mais importante do município, o
mesmo rigor administrativo e a mesma vigilância que atualmente procura
transmitir em suas manifestações públicas.
Nesse contexto, para seus adversários, aplica-se o conhecido
ditado popular: "em casa de ferreiro, o espeto é de pau". A frase
resume a percepção de que muitas das cobranças feitas hoje poderiam ter sido
respondidas por ações concretas quando Luciano Leitoa teve a responsabilidade
direta de governar Timon.

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