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11 de abril de 2026

Na política, a cor da chita não engana o eleitor


Quando Mão Santa, então governador do Piauí, foi afastado do poder, aliados carregaram o então prefeito de Teresina, Firmino Filho, nos braços — do aeroporto ao Palácio de Karnak. Ali nascia a esperança da oposição: Firmino surgia como o nome capaz de enfrentar o grupo que tirava Mão Santa e vingar a manobra política que recolocara antigos protagonistas no poder.

Naquele momento, ele cravou uma frase que ecoou forte:
“Oligarquia nunca mais!”

Mas a política, como se sabe, é dinâmica — ou conveniente. Pouco tempo depois, o discurso mudou:
“Oligarquia nunca é demais!”

E, assim, alianças antes impensáveis foram costuradas. O que era enfrentamento virou composição. O que era discurso virou adaptação. E o eleitor, mais uma vez, foi convidado a reinterpretar o passado recente.

As uniões políticas podem até ser justificadas nos bastidores, embaladas por discursos sobre maturidade, governabilidade ou pragmatismo. Mas, na prática, quase sempre revelam o mesmo objetivo: o poder. E, nesse jogo, pouco importa quem era adversário ontem — desde que seja útil hoje.

O problema é que o eleitor não é ingênuo. Pode até silenciar, observar, mas dificilmente esquece. Como já se disse, o povo sabe ler sinais — inclusive os mais sutis.

E é aí que entra o detalhe que muitos subestimam: a cor da camisa.

Ela pode parecer apenas um gesto simbólico, um registro casual de encontro. Mas, na política, símbolos falam. Cores aproximam, alinham, sinalizam. O que antes era distância, de repente vira sintonia. O que era crítica, transforma-se em convivência. E o que era promessa… passa a ser relativizado.

Políticos promissores, que constroem sua imagem com base em discursos firmes e posicionamentos coerentes, correm um risco silencioso quando decidem flexibilizar demais suas próprias palavras. Porque o mesmo eleitor que aplaude a firmeza, cobra coerência. E, quando ela falta, o esquecimento pode ser rápido — e definitivo.

Hoje é a cor da camisa.
Amanhã, o gesto ensaiado, mãos erguidas, dedos entrelaçados, celebrando uma união que antes parecia impossível.

Na política, essas imagens custam caro.
Principalmente para quem ainda está construindo seu futuro.

A menos que tudo aquilo que foi dito no passado tenha sido apenas… discurso.

Atentai bem.

 

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