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12 de setembro de 2026

Leitor/eleitor faz análise comparativa com a situação politica dos grupos: leitoa e waquins em Timon

 Waquim e Leitoa: a diferença entre perder o poder e perder o grupo

Um leitor do Blog do Ribinha propõe uma comparação que merece reflexão o; grupo de Socorro Waquim, apesar de ter perdido eleições e enfrentado a alternância de poder, conseguiu preservar sua unidade política; já o grupo Leitoa, depois de anos de domínio, chegou a 2026 dividido e com o desafio de recuperar a força que um dia teve.

É uma leitura que encontra respaldo em parte da história eleitoral de Timon, embora não possa ser tomada como uma verdade absoluta.


Dois grupos, duas trajetórias


A história recente de Timon foi marcada por duas grandes forças políticas. De um lado, o grupo liderado por Chico Leitoa, que construiu sua liderança ao longo de décadas. Do outro, o grupo de Socorro Waquim, que surgiu como uma força de oposição, conquistou a Prefeitura e passou a disputar diretamente o espaço político dos Leitoa.

Os números mostram a alternância:

2000: Chico Leitoa venceu Socorro Waquim.

2004: Socorro venceu Chico Leitoa.

2008: Socorro foi reeleita.

2012: Luciano Leitoa venceu Edivar Ribeiro, candidato apoiado pelo grupo de Socorro.

2016: Luciano foi reeleito.

2020: Dinair Veloso, apoiada pelo grupo Leitoa, venceu uma eleição apertada.

2024: Rafael Brito venceu Dinair Veloso, enquanto Socorro Waquim integrou a chapa vencedora como vice-prefeita.

A comparação, portanto, não é entre um grupo que sempre venceu e outro que sempre perdeu. Os dois tiveram poder, perderam poder e precisaram se reorganizar.

A diferença que o leitor aponta está no que aconteceu depois.

Socorro: perder a Prefeitura não significou perder o grupo

Socorro Waquim perdeu a eleição de 2012, quando seu grupo apoiou Edivar Ribeiro. Em 2016, não disputou a Prefeitura e apoiou Alexandre Almeida, indicando Ulysses Waquim como vice. A chapa foi derrotada.

Em 2020, voltou a disputar o Executivo, mas terminou em terceiro lugar, com cerca de 16 mil votos.

Mesmo assim, o grupo não desapareceu.

Socorro continuou disputando eleições, manteve presença política e voltou a ocupar espaço institucional. Em 2021, reassumiu o mandato de deputada estadual e, em 2024, integrou a chapa de Rafael Brito, que venceu a eleição municipal.

O que se observa, nesse caso, é uma liderança que não confundiu derrota eleitoral com fim de trajetória.

E isso é importante porque, na política, perder uma eleição não significa necessariamente perder a capacidade de mobilizar pessoas.

Leitoa: de grupo dominante a grupo dividido

O grupo Leitoa também teve sua fase de maior força. Chico Leitoa construiu uma liderança que atravessou décadas, e Luciano Leitoa chegou à Prefeitura em 2012, sendo reeleito em 2016.

Mas a partir de 2020, o cenário começou a mudar.

Naquele ano, Dinair Veloso venceu uma eleição apertada, enquanto Socorro Waquim e Comandante Schnneyder também disputaram o Executivo. Em 2024, Dinair tentou a reeleição, mas foi derrotada por Rafael Brito.

O grupo que durante anos foi uma das principais forças políticas de Timon deixou de controlar a Prefeitura e passou a enfrentar um cenário de maior dispersão.

É justamente nesse ponto que a análise do leitor ganha força: o problema não seria apenas perder o poder, mas perder a capacidade de manter o grupo unido em torno de um projeto político.

E essa é uma diferença importante.

A eleição de 2026 será um teste

Em 2026, os dois grupos chegam a uma nova disputa estadual.

Socorro Waquim aparece como pré-candidata a deputada estadual, integrada à base do prefeito Rafael Brito. Seu grupo vem ampliando alianças, com apoios anunciados de lideranças como Amanda Pires e outros integrantes da base governista.

Do outro lado, o grupo Leitoa chega ao processo eleitoral com uma situação mais complexa. Luciano Leitoa, em entrevista publicada em 2025, reconheceu que o grupo saiu fragilizado das eleições de 2024, embora tenha contestado algumas avaliações sobre sua força política.

Isso não significa que os Leitoa estejam fora da disputa.

Significa que a eleição de 2026 será também uma prova de capacidade de reorganização.

Se o grupo conseguir reunir suas lideranças, recuperar aliados e apresentar uma candidatura competitiva, poderá demonstrar que ainda conserva força política.

Se, ao contrário, continuar dividido, poderá enfrentar mais uma derrota eleitoral.

A comparação que o leitor propõe

A leitura do leitor é que Socorro Waquim soube sobreviver à alternância de poder, enquanto o grupo Leitoa teria perdido força ao não conseguir preservar a unidade política que construiu ao longo de décadas.

É uma interpretação que merece ser considerada, mas que precisa ser analisada com cuidado.

Porque também é verdade que o grupo de Socorro enfrentou derrotas importantes. E o grupo Leitoa não deixou de existir.

A questão é outra:

qual dos dois grupos conseguiu transformar melhor as derrotas em reorganização política?

Essa é uma pergunta que os resultados eleitorais ajudam a formular, mas que não pode ser respondida apenas pelos números.

O que está em jogo


A eleição estadual de 2026 não será apenas uma disputa por vagas na Assembleia Legislativa.

Para Timon, será também uma disputa pela capacidade de cada grupo de manter sua base, ampliar alianças e recuperar ou consolidar espaço político.

Socorro Waquim chega ao processo com uma trajetória de sobrevivência eleitoral e com uma base que, ao menos publicamente, vem se ampliando.

O grupo Leitoa chega com uma história de força, mas também com o desafio de superar a divisão e recuperar a capacidade de mobilização.

E é justamente aí que a comparação do leitor faz sentido: na política, não basta ter um passado de vitórias. É preciso saber o que fazer quando as vitórias deixam de acontecer.

A história de Timon mostra que nenhum grupo é eterno.

Mas também mostra que a derrota não precisa ser o fim de uma liderança.

O que pode determinar o futuro de um grupo é a capacidade de continuar unido, reorganizar-se e construir novas alianças.

Quem consegue fazer isso permanece na disputa. Quem não consegue, corre o risco de transformar uma derrota eleitoral em um processo de enfraquecimento político.

A eleição de 2026 dirá muito sobre o futuro dessas duas forças.


E talvez a principal lição seja esta:


na política, perder o poder é uma coisa. Perder o grupo é outra.

E, muitas vezes, é a segunda que torna a primeira ainda mais difícil de recuperar.

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