Nos corredores do poder, o assunto é um só. Fervilham — e não por acaso — as conversas de bastidores sobre os reais motivos que levaram o prefeito Rafael Brito a exonerar o publicitário Caio Galvão do comando da Secretaria Municipal de Comunicação de Timon.
A
estranheza não é gratuita. Caio vinha imprimindo à pasta uma dinâmica até então
pouco vista: mais visibilidade institucional, presença constante na mídia e uma
narrativa de gestão que começava, finalmente, a dialogar com a cidade. Aos
olhos mais atentos, a Comunicação passou a cumprir seu papel estratégico,
projetando uma administração mais produtiva e organizada do que aquela
percebida nos primeiros meses de governo.
Com
desenvoltura técnica e leitura política apurada, Caio Galvão trabalhava para
equilibrar o ambiente interno da comunicação e, sobretudo, tornar o gestor mais
acessível à imprensa — um detalhe que, no mundo político, nunca é pequeno. Não
por coincidência, mesmo diante de um início de gestão considerado turbulento, o
governo dava sinais claros de recuperação de imagem e superação dos três
primeiros e difíceis meses.
É
justamente aí que começam as conjecturas.
Reservadamente,
nomes da própria estrutura governamental — sempre sob o manto do anonimato —
apontam para um velho conhecido da política: o fogo amigo. Aquele que
não aparece, mas que sussurra. Que não assina, mas influencia. A famosa
queimação silenciosa, feita de intrigas, maledicências e disputas internas por
espaço, poder e protagonismo.
A saída
de Caio, diga-se, não parece guardar qualquer relação com o perfil da escolhida
interinamente para a função, a secretária de Cultura, Glauciane Correia. Ao
contrário. Glauciane tem trajetória reconhecida na pasta que comanda e
desenvolve um trabalho que, por si só, merece registro positivo.
A escolha
do prefeito pode, inclusive, estar ligada à confiança construída durante o
período eleitoral, quando Glauciane exerceu um papel multifuncional na campanha
vitoriosa de Rafael Brito, acompanhando de perto a equipe de marketing e os
bastidores estratégicos.
Mas há um
detalhe que não passa despercebido aos observadores mais experientes: a
acumulação das pastas de Cultura e Comunicação ocorre exatamente às
vésperas do Zé Pereira de Timon 2026. Um evento que todos sabem exigir
logística robusta, articulação política e, sobretudo, forte investimento
público — áreas onde cultura e comunicação caminham lado a lado e ganham
protagonismo absoluto.
Nesse
contexto, faz sentido que o prefeito concentre o comando dessas engrenagens em
mãos de extrema confiança. Política também é método. E, muitas vezes,
prevenção.
Ainda
assim, permanece no ar uma certeza compartilhada nos bastidores: Caio Galvão
deixa a Comunicação não por falta de resultados — mas, talvez, exatamente por
tê-los alcançado rápido demais em um ambiente onde nem todos aplaudem o sucesso
alheio.
E isso,
na política, diz muito

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