A tarde do dia 1º de fevereiro entrou para a história religiosa de Cabeceiras do Piauí. Não apenas pela entrega da reforma da Capela do Imaculado Coração de Maria, localizada na comunidade Bom Futuro, zona rural do município, mas pelo significado espiritual, humano e comunitário que o ato representou para mais de mil fiéis presentes.
O que se viu foi muito mais que uma inauguração física. Foi a materialização da fé construída no silêncio, na doação e na perseverança. Entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, homens e mulheres simples, no anonimato e com Deus no coração, dedicaram tempo, trabalho e recursos para tornar realidade um sonho aguardado há anos pela comunidade: devolver dignidade e beleza a um espaço sagrado que acolhe orações, lágrimas, promessas e esperanças.
A reforma só foi possível graças ao empenho, planejamento e organização do arcebispo de Teresina, Dom Juarez, filho da terra, com raízes fincadas em Cabeceiras. Mais que idealizar, Dom Juarez acompanhou de perto cada etapa, demonstrando que pastorear é também caminhar junto com o povo, sentir suas dores e partilhar suas alegrias.
Um cruzeiro, uma bênção e a renovação da fé
Os atos religiosos tiveram início com a bênção do cruzeiro, símbolo maior da fé cristã. O cruzeiro, idealizado e estilizado pelo próprio Dom Juarez, foi confeccionado a partir de um tronco de madeira por ele trazido, carregando consigo um profundo significado espiritual: a recordação da morte redentora de Jesus Cristo, que transforma dor em salvação.
Tradicional nas comunidades rurais, o cruzeiro torna-se ponto de encontro dos fiéis para rezar o terço, pedir bênçãos e renovar a esperança — e ali, naquele chão simples de Bom Futuro, cumpriu plenamente esse papel.
Em seguida, foi celebrada a Santa Missa, presidida por Dom Juarez e concelebrada pelo Bispo da Diocese de Campo Maior, Dom Benedito Araújo, além de padres convidados, diáconos, ministros da Eucaristia e da Palavra, coroinhas e religiosos vindos de várias cidades da região.
Participaram das celebrações os padres Raniery Alencar, pároco de Santa Cruz dos Milagres; o padre Honório, anfitrião do momento; além dos padres Duarte, Adão, Raimundo (de Barras) e Allan, entre outros.
Durante a Missa, Dom Juarez e Dom Benedito renovaram publicamente os laços de amizade construídos décadas atrás, ainda nos tempos de seminário, em encontros de seminaristas do Nordeste — um reencontro que emocionou os fiéis e reforçou o espírito de comunhão da Igreja.
Comunidade, autoridades e serviço cristão
O evento também contou com a presença de autoridades civis, entre elas o prefeito de Cabeceiras, José Filho, o ex-vereador Auri Soares, ex-prefeito Zé Belim, além de outras lideranças locais, reforçando a importância do diálogo entre fé, comunidade e poder público.
Ao final, como expressão concreta da partilha cristã, foi servido um lanche comunitário, organizado e doado por membros da capela e fiéis que, nos três dias que antecederam o evento, se dedicaram à limpeza do templo e à organização dos atos religiosos.
Um marco que ultrapassa paredes
A entrega da Capela do Imaculado Coração de Maria reformada não representa apenas paredes novas, pintura ou estrutura. Representa fé viva, serviço cristão, pertencimento e memória coletiva. Um marco que ficará gravado não só nos registros históricos, mas, sobretudo, no coração e no semblante de cada fiel que testemunhou esse momento de graça.
Em Bom Futuro, a comunidade compreendeu, mais uma vez, que quando a fé se transforma em ação, Deus se manifesta — silencioso, mas presente — em cada detalhe.





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