A ex-prefeita de Timon, Dinair Veloso, resolveu entrar no debate sobre o rateio dos recursos dos precatórios do Fundef. Professora efetiva do município desde 27 de março de 2003, com 23 anos de vínculo no serviço público, ela passou aproximadamente 12 anos fora da sala de aula, período em que ocupou cargos políticos e administrativos, como secretária municipal de Educação e prefeita de Timon.
Agora, diante da discussão sobre quem terá direito aos
recursos do Fundef, Dinair aparece nas redes sociais defendendo o pagamento
integral dos valores, incluindo juros e correções monetárias aos profissionais
da educação. O discurso, naturalmente, agrada parte da categoria. O que chama
atenção, porém, é que a defesa pública também coincide com o interesse pessoal
da própria ex-prefeita em ser contemplada pelo rateio.
No vídeo divulgado nas redes sociais, Dinair afirma que os
juros e correções pertencem aos professores e critica a posição da atual gestão
municipal. Ela sustenta ainda que o Supremo Tribunal Federal não proibiu o
pagamento desses valores aos profissionais do magistério.
Entretanto, o tema está longe de ser simples como tentam
apresentar alguns atores políticos. A discussão envolve interpretação jurídica,
decisões do STF, entendimento do Tribunal de Contas da União e normas sobre
aplicação de recursos vinculados à educação. Especialistas têm divergências
quanto à possibilidade de inclusão de juros e correções monetárias no rateio
dos 60%, justamente porque parte desses valores possui natureza indenizatória
ao ente público e não necessariamente remuneração direta aos servidores.
Outro ponto que gera debate é exatamente a definição de quem
possui direito ao rateio. Embora a legislação contemple profissionais do
magistério que atuaram no período correspondente aos recursos, existe
controvérsia sobre situações de afastamento da sala de aula para exercício de
cargos políticos ou administrativos. Em diversos municípios brasileiros, esse
tema tem sido judicializado.
Por isso, o debate exige responsabilidade e transparência,
mas também honestidade política. Defender publicamente o pagamento amplo e
irrestrito enquanto se está entre os possíveis beneficiários do rateio levanta
questionamentos legítimos sobre conflito entre interesse coletivo e interesse
pessoal.
Afinal, quando o discurso parece defesa da categoria, mas ao
mesmo tempo beneficia diretamente quem o faz, a sociedade tem o direito de
questionar onde termina a luta pelos professores e onde começa a defesa do
próprio bolso.
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